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Blog

Como pode ser esperado de um blog, se trata de uma obra em andamento. No momento, publicamos aqui três tipos de textos que se adequam à definição de um blog.

  • em inglês: textos que Touché e Guy publicam com uma certa regularidade no LinkedIn. Em dezembro 2025, Touché também começou a publicar no medium.com. Esses textos também coletados aqui.
  • em português: as contribuções abaixo de Touché ao site de nossa empresa no LinkedIn, e postagens anteriores para Brasil com Z, blog de brasileiros expatriados sobre os países onde moram. A participação terminou algum tempo atrás, mas os textos de Touché continuam sendo interessantes.
  • em português, holandês, inglês e francês: sempre que viajamos, enviamos newsletters para os amigos em vários países. No ínicio, as mensagens eram somente em português, depois foi adicionada uma versão em holandês e em 2016 fomos loucos o suficiente para escrever em francês e inglês também durante nossa estada em Nova Zelândia/Austrália e Costa Rica. Vamos progressivamente postar alguns relatos de viagem, voltando no tempo.

Nota: a última mensagem está no topo. Use o menu à direita ou role para baixo para encontrar mensagens mais antigas.

nossa empresa Toucheguy no LinkedIn em 2025-1

Patrimônio Mundial da Unesco

Algumas informações que, se não necessariamente consideradas ´interessantes´ podem ser úteis no sentido de contribuir para uma análise objetiva sobre o grande espetáculo global recentemente divulgado pela imprensa mundial, que foi a festa de casamento de um bilionário americano – aliás a 4a maior fortuna pessoal de que se tem conhecimento neste momento. Tal evento ocorreu em Veneza e não parece ter causado polêmicas legais, ou, se causou, foram devidamente ocultadas do conhecimento público. Tipo: seria escandaloso se não se tratasse de um contrato de aluguel autorizado pela administração da cidade? Ou: seria culturalmente desrespeitoso se não aportasse lucro financeiro a alguns proprietários de negócios na cidade?

Começamos por uma pequena explicação sobre a UNESCO, sigla muito conhecida, mas com tantas siglas e tantas organizações existentes, a gente não tem muito jeito para guardar o que é o que e qual faz o que. Aqui, falamos da agência especializada das Nações Unidas (ONU) sediada em Paris, fundada em 16 de novembro de 1945 com o objetivo de contribuir para a paz e segurança no mundo patrocinando projetos dentro de seus programas em áreas sensíveis da educação, ciências naturais, ciências sociais/humanas, cultura e comunicação/informação.

algo está afundando... é Veneza?

algo está afundando... é Veneza?

O acrônimo UNESCO (acrônimo = uma sigla que forma palavra ou quase palavra; sigla = redução de um intitulativo, sem formar palavra) provém das palavras Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, tradução do original em inglês ´United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization´ e a organização tem atuado ativamente na defesa de projetos nas áreas mencionadas, contando atualmente com 195 Estados-membros e 12 membros associados. Em 1972 foi adotada a Convenção para Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural, a fim de preservar a herança cultural e natural de locais fundamentais para nossa História e desenvolvimento, que não tem como serem substituídos e/ou modificados. Os itens que compõem a lista do Patrimônio Mundial da UNESCO são de diversas categorias, podendo ser locais específicos, monumentos, territórios ou mesmo receitas gastronômicas. Por exemplo, no Brasil, alguns locais que fazem parte desta lista são: os Centros Históricos de Ouro Preto, Salvador e alguns outros, Pantanal, Lençóis Maranhenses e diferentes áreas de natureza.

Aqui vai uma pergunta a quem saiba, entenda do assunto e queira responder: é legal alugar-se um patrimônio cultural mundial para realização de uma festa particular?

Se a moda pega... bye bye Herança Mundial. Muito menos Protegida.

Touché Guimarães, publicado pela primeira vez no LinkedIn em 30/6/2025.
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Coelho põe ovo?

Não pensamos ser necessário explicar o poder do marketing, se alguém ainda não se deu conta, basta olhar em torno do próprio lugar onde se encontra neste momento, e verificar tudo o que comprou porque ´ouviu dizer´, ou ´leu em algum lugar´, ou ´provou em algum ponto de venda´, sem que a compra necessariamente esteja vinculada à prévia experiência em relação a tal produto, ou até mesmo à necessidade do mesmo. O ´boca-a-boca´ continua sendo um canal muito eficiente de divulgação de produtos e serviços, mas a cada dia estamos mais expostos ao que os meios tecnológicos nos impõem.

Pois bem, seguindo esta linha de pensamento, chegamos a uma perguntinha muito especial: quando foi que a celebração da Páscoa começou a ser ligada a coelhos? Mais ainda: coelhos que põe ovos! No fim, algo ainda mais estranho: coelhos que põe ovos...de chocolate!

CC0 - Lapis Lazuli Easter Egg criação de Peter Carl Fabergé - fotógrafo Gary Kirchenbauer

Lapis Lazuli Easter Egg criação de Peter Carl Fabergé - fotógrafo Gary Kirchenbauer - https://clevelandart.org/art/1966.436.a, CC0

O espírito científico, valorizado em nosso mundo por uma grande quantidade de pessoas, sobretudo aquelas que não lidam com o conhecido é assim porque é (e sempre foi...), levou à busca de respostas a estas perguntas, ainda que não fundamentais para a felicidade de ninguém. Então, indo por etapas, baseando-nos na Wikipedia, encontramos os seguintes textos:

1) Páscoa: no cristianismo se trata de uma festividade religiosa e um feriado que celebra a ressurreição de Jesus, ocorrida no terceiro dia após sua crucificação no calvário, conforme o relato do Novo Testamento.

2) Coelho: uma espécie de mamíferos quadrúpedes (…) São animais herbíveros.

3) Ovo de Páscoa: é um ovo, normalmente de chocolate, inteiro, pintado com gravuras ou com várias cores, para simbolizar a ressurreição de Cristo e celebrar a Páscoa em muitos países. Geralmente oco, mas também com recheios ou brinquedos dentro. Os ovos de Páscoa recheados costumam ser artesanais, enquanto os ocos (que vêm com brinquedo dentro) normalmente são industrializados. No Brasil, alguns dos recheios comuns são: brigadeiro, doce de leite, creme de avelã, churros e chocolate com morango, entre outros. Costumam ser envoltos em papéis laminados, e também distribuído como presente aos amigos e crianças nas festividades da Páscoa cristã.

Ou seja, os ovos de Páscoa não tem nada a ver com coelhos nem com algo saboroso como chocolate. Por outro lado, muito séculos antes do nascimento de Cristo, a troca de ovos era comum entre os agricultores, que acreditavam ser ovo um símbolo de fertilidade e renascimento da vida e os enterravam no equinócio da primavera (21 de março) para obterem uma boa colheita nas terras de cultivo. A celebração da Páscoa cristã integrou os ovos em suas tradições festivas, decorando-os com pinturas e cores alegres. Isto também há muito tempo tem sido praticado no Oriente, e nos países do leste da Europa os ortodoxos se tornaram grandes especialistas em transformar ovos em obras de arte.

Peter Carl Fabergé, joalheiro russo de origem franco-dinamarquesa, junto com seus ourives, imortalizou os ´ovos de Páscoa imperiais´ com sua criação de ovos luxuosos, produzidos em materiais como ouro, prata, cobre e platina, que eram oferecidos na Páscoa entre os membros da família imperial russa. O primeiro destes Ovos Fabergé foi desenhado e construído em 1885, por encomenda do czar Alexandre III, que o ofertou a sua esposa, a imperatriz Maria Feodorovna, e a ideia foi difundida entre os nobres da época. A partir daquela data, 50 ovos imperiais foram produzidos e atualmente se encontram em diferentes países.

Foram os Pâtissiers franceses que introduziram o ovo de chocolate na gastronomia mundial, os quais cada vez mais encontravam consumidores interessados em novas ideias em torno do conceito de se presentear algo doce na Páscoa. O produto se tornou famoso , sendo mais e mais elaborado e já há algum tempo se tornou parte inseparável das comemorações nesta época.

Assim, conseguimos algumas explicações, basicamente sobre a Páscoa e como os Ovos de Páscoa se tornaram populares. A notar ainda, que em alguns países, como a Bélgica, a França, a Alemanha e os Países Baixos o animal escolhido para esta festividade não é um coelho, mas uma lebre!!! Então, finalmente onde entram os coelhos nesta estória?

Grande mistério...

Touché Guimarães, publicado pela primeira vez no LinkedIn em 11/5/2025.
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Ser pontual

Ainda que fique mais pro lado de slogan que de definição filosófica, parece que a frase ´se fazer esperar é prerrogativa dos poderosos´, faz sentido na prática da vida cotidiana e dispensa profundas análises e/ou estudos para ser entendida. De todo jeito, basiquinha como possa ser (e é), talvez valha a pena tecer algumas considerações sobre o que significa a pontualidade e seu oposto nos vários contextos sociais que cada um frequenta.

Começando pelo óbvio, no mundo atual – aqui considerando-se ´mundo´ como os países ´civilizados´ – comentários do tipo ´minha vida está muito corrida / não tenho tempo / vivo correndo atrás do relógio´, etc. – se tornaram redundantes, porque mesmo aqueles (pouquíssimos) que não tem responsabilidades vinculadas à agenda ou compromissos compulsórios, não tem como fugir ao fato de que existe algo chamado ´aceleração da História´. A sensação de que o tempo está passando cada vez mais rápido se tornou tema de várias discussões, incluindo o mundo acadêmico. Aqui reproduzimos uma pequena frase (tradução nossa) que inicia o estudo ´Acceleration of History: causal Mechanisms and Limits´ (´Aceleração da Historia: Mecanismos causais e limites´), de autoria do Prof. Rozov Nikolais, da Universidade Novosibirk State, na Russia, divulgado através do site https://academia.edu):

A ´aceleração da historia´ costuma se referir a: 1) a redução progressiva da duração de eras históricas significativas (os estágios das origens dos seres humanos, formações, modos de produção e acumulação, estágios do crescimento tecnológico, estilos artísticos, etc); 2) aumento do número de mudanças significativas em cada um dos períodos históricos aproximadamente iguais.

Ser pontual era possível até no tempo do relógio de sol

Ser pontual era possível até no tempo do relógio de sol

Muito bem, devidamente explicado, não adianta nada a gente tentar se desculpar pelos atrasos argumentando ´oh, puxa vida, mais uma vez fui vítima da aceleração da história... bla bla bla´, porque em todos os tempos, desde que estabelecemos a divisão entre dia e noite – independente das horas de luz natural, que evidentemente varia de acordo com a localização geográfica onde nos encontramos – temos por base que um dia tem 24 horas, para serem vividas por qualquer pessoa, em qualquer lugar.

Ou seja, a História que cada um escreve no seu dia-a-dia é determinada pela forma de dividir-se estas 24 horinhas. A princípio, os especialistas na boa saúde – que não necessariamente significa o bom-viver – indicam que se deve dormir 1/3 deste tempo, ou seja, já de cara ficamos em débito conosco mesmos se não dormimos durante boa parte de nossa passagem pela Terra. Para quem gosta de viver ativamente, esta dorminhocação toda pode ser sentida como um grande desperdício... mas como somos uma makineta muito limitada em recursos de todos os tipos, ou entramos no nosso baterizador (comumente chamado de ´cama, ou afins´) a fim de recarregar nossas baterias, ou vamos pro brejo e punt, fini, não passa mais nada.

Muy bien, vamos ver então como vamos dispor das 16 horas que ficam da forma mais interessante possível, sempre levando em conta que gosto não se discute. Claro está, é pouco tempo. E esse pouco ficou cada vez mais pouquinho, porque a quantidade de atividades e compromissos foi progressivamente crescendo no passar dos anos. Ainda que o mundo moderno nos propicie recursos tecnológicos para economizarmos o tempo E a energia que costumavam ser necessários para realização de quasquer tarefas, como utilizamos as horas é decidido pela importância do que se deve realizar, não necessariamente pelo que se gosta. Priorizar se tornou fundamental para que a gente não fique completamente perdido entre o que se tem e/ou quer fazer.

Quem paga as contas com o valor monetário de seu trabalho, não precisa pensar muito: o cumprimento dos compromissos profissionais é a base para que se possa viver com qualidade. Às vezes, sequer com qualidade… mas é sempre a garantia de que se tem um mínimo de cash para alimentar a geladeira e os que dela dependem para se alimentarem. Pensando positivamente (sempre!), gasta-se por dia, em média, 8 horas com trabalho remunerado (alô? alguém pensando nas atividades domésticas???…), isso levando em conta a fantástica tecnologia do home-office, para aqueles que tem ocupações compatíveis com trabalhar à distância. De qualquer forma, algum tempo deve ser acrescido neste item, por conta da locomoção até o local onde eventos profissionais se realizam.

Ok, ok, vamos subtrair daquelas famosas 24 horas iniciais, um número aproximado de 9 horas por dia dedicadas ao trabalho, tá? Ficam então...quantas mesmo? 7 horas para...tcham tcham...cuidados com a família, higiene pessoal, cuidados com a casa, preparo de comidas, consultas médicas, consultas com outros profissionais, supermercado e afins, consertos vários do que a gente sabe fazer sozinho, contatos com outras pessoas a fim de consertar o que a gente mesmo não consegue, insistir para ter atendimentos combinados e não respeitados, pesquisas na internet, preenchimento de formulários e/ou pesquisas, cursos e/ou preparação de aulas e materiais didáticos, controle financeiro e de documentos em geral, marcação de horários, tentativas de contatos com os amigos e familiares distantes, contatos com amigos e familiares distantes, práticas esportivas, tomada de decisões, tomada das providencias necessárias para realização do que se decidiu, preparar relatórios e documentos para reuniões de trabalho, preparar tudo para viagens de trabalho, tentar tirar férias, programar e organizar o plano de viagens, arrumar a bagagem, verificar horários e documentação exigida, manutenção do carro, tomar eventuais vacinas, e, atenção! – acreditar que ainda teremos pique para reuniões sociais e festas, participar de reuniões e festas e… claro, sorrir em todas as fotos e postá-las na social media, com um ar de felicidade que vai deixar todo mundo com inveja, eitcha que maravilha, né?

Quanto tempo para isso tudo? Como saber??? o que sabemos é: não dá tempo prá tudo. A gente sempre está em falta com algum projeto desejado, ou algum sonho sonhado.

No meio desta confusão toda, como manter uma reputação de seriedade em relação ao que se combina e contrata? No fim... sobra prá alguém. Que também está nesta roda-viva, tentando manter a cabeça fria e a calma pra não ficar nervoso e/ou irritad@ e/ou histérico.

Outras pessoas estão vivendo o mesmo sufoco, é bom não esquecer. Cada acordo, cada agendamento, implica em que existem outra(s) pessoa(s) envolvido/a(s) no projeto, e que também está tentando da melhor forma possível manter a pontualidade. Sabemos que o tempo que se tem é o tempo que existe para se viver.

Ninguém deveria deixar ninguém esperando. Salvo em condições excepcionais, é preciso não esquecer que a vida do Outro é tão importante para o Outro como a de cada um é para cada um. Neste caso, uma explicação no mínimo prazo possível é fundamental para o bom relacionamento humano.

Ou seja: se fazer esperar é prerrogativa dos poderosos. É abuso de poder. Não dar satisfação é pior ainda, é falta de educação básica.

Ser pontual não é qualidade, é prova de respeito à vida de cada um. E deveríamos sempre fazer o máximo para evitar que alguém fique nos esperando sem motivo justo. Por amor ou por simples politesse. Ambos motivos que apontam para o bom relacionamento entre as pessoas e a boa reputação de quem se importa com isso.

Touché Guimarães, publicado pela primeira vez no LinkedIn em 30/4/2025.
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COP - o quê???

Prá quem ainda não entendeu o que isso significa, ´cop´ nem é a pronúncia de ´cup´, em Inglês – ainda que muita gente saiba que a ´World Cup´ é a Copa do Mundo - nem tem a ver com ´policiais´, que nos USA são popularmente chamados de cops.

Então, o que é COP??? se trata das conferências anuais (Conference of the Parties) realizadas dentro do contexto das Nações Unidas, sob a sigla UNFCCC (United Nations Framework Convention on Climate Change) a fim de avaliar o progresso no combate às mudanças climáticas no mundo. COP é uma plataforma internacional onde governos, ONGs e o setor privado se reunem a fim de debater medidas e obrigações para que países desenvolvidos reduzam sua emissões de gazes com efeito estufa, de acordo ao decidido pelo tratado internacional conhecido como Protocolo de Kyoto, assinado naquela cidade em 11/12/1997 e entrado em vigor em 16/02/2005. (pt.wikipedia.org/wiki/Protocolo_de_Quioto).

 © esquerda: af-hp.jpg. // direita: Alberto Cesar/Greenpeace/AP - imagens que falam

© esquerda: af-hp.jpg. // direita: Alberto Cesar/Greenpeace/AP - imagens que falam

A partir de 2005 estas conferências tem reunido os participantes dos debates sobre tal protocolo e de 2011 a 2015 tais encontros visaram negociar o Acordo de Paris, como parte da plataforma Durban, que estabeleceu diretrizes relacionadas com a ação climática. A primeira conferência sobre mudanças climáticas se realizou em Berlin em 1995, onde ficou estabelecido que todo e qualquer texto decisório originado em um COP deve ser concordado em consenso. Até 2024 foram realizados vinte e nove COP, em diferentes cidades/países.

Durante o COP 27, em 2022, em Marrakech, Marrocos, o Presidente brasileiro apresentou proposta para um COP no Brasil e após as devidas análises, ficou decidido que o COP 30 ocorra em Belém do Pará entre 10 e 21 de novembro de 2025, decisão esta oficializada durante o COP 28, em Dubai, em 11/12/2023.

Assim sendo, o Brasil será palco de encontros entre pessoas de peso no cenário internacional, representantes de países e organizações envolvidos com as questões ambientais. Estima-se que 60.000 pessoas, entre as quais representantes de 193 países-membros das Nações Unidas, que estarão presentes em Belém e, conforme fontes oficiais, poderão ver ´de perto´ a cultura paraense. Para que estes visitantes se sintam bem-vindos 30 obras estão acontecendo simultaneamente na cidade, entre as quais novos hotéis ´de nível internacional´(calcula-se 4.000 novos leitos) estão sendo construídos. O porto está sendo preparado para receber navios de grande porte (leia-se: cruzeiros), além de reformas significativas em lugares-ícones da cidade, como o Mercado Ver-O-Peso, considerado a maior feira ao ar livre da América Latina, que foi inaugurado em 1901.

Além das obras na cidade, na floresta se constroem estradas e infra-estrutura para que os visitantes possam ter experiencia in loco sobre o que a Amazonia significa. Estes investimentos estão estimados em R$ 4,7 bilhões, no entanto o custo ecológico e o uso futuro dos espaços de luxo após terminado o evento não tem sido foco de muito debate ainda que cause estranheza que tanto dinheiro seja investido para a realização de um evento para busca de alternativas climáticas e soluções para evitar as tragédias ambientais a custo de muito dano ambiental...

Durante o G20, em 2024, no Rio de Janeiro, o Presidente brasileiro fez um discurso inflamado, onde declarou que ´as pessoas tem que saber que em baixo de cada copa de árvore tem um ser humano... que precisa comer´ etc., reivindicando o financiamento por parte dos países ricos ´para que o Brasil possa cuidar com dignidade da nossa floresta e do nosso povo´.

No meio tempo, as obras continuam em ritmo acelerado e os habitantes a região se preparam para acolher e servir os visitantes. Entre as decisões políticas, as necessidades do povo e os fatos concretos fica a cada um de nós analisar benefícios vs custos e as responsabilidades nacionais e internacionais, a nível pessoal, social e ecológico.

É isso aí.

Touché Guimarães, publicado pela primeira vez no LinkedIn em 27/03/2025.
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Lars von Trier

Gênios podem tudo, porque desconhecem tempo e fronteiras e transpassam limites sem qualquer consideração pelos pobres mortais que tentam seguir em suas travessias.

Cada gênio seu caminho. Lars von Trier grita, pela imagem com movimento, ele grita. Pelo silêncio de suas imagens, ele grita. Pelo som de suas imagens...

Os sendeiros do cinema. Luzes, câmara e ação, nem sempre neste ordem, nem sempre existentes. Luzes? Ação? Não, nem sempre. Câmara, por enquanto ainda é necessária, quem sabe até quando.

Director Lars von Trier leaving the press conference of the film

Director Lars von Trier leaving the press conference of the film "Nymphomaniac" at the 2014 Berlin Film Festival (Siebbi - Lars von Trier CC BY 3.0)

Opção de cada um que se busca num filme, onde perguntas, anseios, sonhos ou necessidades se postam frente a uma forma de arte que pode tentar responder. Necessidade e gosto de cada um. Buscas que podem se alterar no curso de uma caminhada-vida, fronteiras que se tenta alcançar ou esquecer.

Quem já viajou muitas telas, muitos livros, muitas imagens, muitos sons, nas asas ou braços de diferentes criadores de arte não teria deixado de visitar o mundo-Trier, tão rico em significados e mensagens. Genial. Davvero.

No entanto, no tempo, os pezinhos caminhadores tem se cansado de desertos, os olhinhos curiosos choram o cinza e os corpinhos dançantes necessitam, cada vez mais, de aconchego. As cabecinhas pensante estão cheias demais, tanto criar e analisar, ai ai, prá que tanto isso?

Assim, as buscas se alteraram também, como num processo contínuo de descebolização. Já vestimos muitas camadas de experiências, allora basta.

Preferimos campos floridos a túneis escuros.

Sandália havaiana a sapatos altos.

Roupa solta à elegância que aperta.

Passarinhos a orquestras.

Churrascos a cocktails.

Sucos a champagne.

Mafalda a Kafka.

Wikipedia à Britannica.

Chalés a hotéis.

Riso à discussão.

Crianças a intelectuais.

Intuição à ciência.

Emoção à explicação.

Alegria à complexidade.

Monet a Dali.

Quintana a Shakespeare.

Beijos a saudações cordiais.

Arte da vida à vida de artista.



E foi assim que nos afastamos do Lars van Trier.

Gênio demais para quem busca a luz do sorriso.

Sem sofisticação, psicologismos ou intelectudes.

Simplinho assim.



Sorry, van Trier, você se tornou gênio demais.

Touché Guimarães, publicado pela primeira vez no LinkedIn em 28/02/2025.
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Mecenato

Ah!... ser poeta na Idade Média!!!! Que maravilha!!! Ou não?...

Não. Definitivamente NÃO seria legal viver na Idade Média. Sem contar as casas geladas e sem isolação, mesmo na hipótese de poder viver decentemente, devia ser dureza morar num castelo sem calefação nem ar-condicionado, e ai, o horror que devia ser aquele monte de roupas... anáguas, saias, sobre-saias, sub-saias, tudo para impedir que se pudesse viver a pele contente e livre, em contato com outra pele contente e livre...

Bonito mas muito frio!

Bonito mas muito frio!

E os dentes, então??? Sacrossanto díos (de onde vem esta expressão?), que feias deviam ser aquelas boquitas pintadas, quando se abriam em sorrisos!!! Numa época em que dentista seria fantasia do futuro, dá prá imaginar que os modelos maravilhosos que pousavam para pinturas maravilhosas e eram personagens de romances maravilhosos decididamente não davam beijos com sabor de coisitas gostosas.

Sim!!! E também não tinha manicure!!! Como ficavam as meninas vaidosas, sem ter quem cuidasse de suas unhinhas??? Como deviam ser sujas aquelas unhas tocadoras de violinos tão perfeitos e belamente afinados! Pedicure? Como seria viver isso? Aqueles sapatitos cheios de laçarotes... Puro surrealismo estético! Felizmente os violinos resistiram e continuam soando lindo lindo lindo.

Os banquetes e festas... é... como se não bastasse o odor generalizado, dos con-vivas, que mais cheiravam a con-mortos, não parece que as comidas tivessem um apelo visual e olfativo que dessem água na boca. Bom...pelo menos tinha a música, a maravilhosa música que até hoje encanta o ar com seus acordes melodiosos.

No entanto, de verdade, realmente, verdadeiramente, sem dúvida alguma, o que era bom mesmo, era o mecenato! Ai, como deve ser fantástico ao artista não precisar de preocupar-se com a sobrevivência, e encontrar alguém que se sentisse privilegiado em tê-lo como pet-criador!!! Fora as evidentes concessões – que sempre existiram – feitas à vaidade do referido mecenas que pelo menos lhe propiciava um espaço existencial, o artista dedicava-se à sua arte, musa e senhora em desvario de cores, materiais, letras ou sons e se entregava ao seu vício apaixonante de criar com total falta de sobriedade social.

Puro ser instintivo e inadequado preservado dentro do circo mundano, muitas vezes reconhecido e festejado como animal diferenciado aplaudido e valorizado por sua rebeldia, não tendo outra preocupação que o próprio viver da alucinação da entrega à sua arte! A inexistência da inteligência artificial na Idade Média permitia que se fosse naturalmente inteligente. Ainda que poucos a usassem...

Tais idéias podem soar muito fantasiosas, mas tem gente que queria ser poeta na Idade Média, sim!!! Mesmo que tivesse que comer javali, mesmo que tivesse que levar trinta minutos tirando tanta saia, mesmo que não pudesse ter tanto dentifrício nos dentinhos nem unhas bonitas, mesmo que.

Não. Mentira. Não dava prá aguentar a Idade Média, não. O ambiente daqueles palácios, a feiura das casas e ruas, a total desesperança das pessoas acabaria com a própria poesia de poetar. Convenhamos, inspiração precisa de sementes para se transformar em texto ainda que cactos também florescem...Mas poesia gosta de flores. Flores, de preferência.

De qualquer jeito, eu, poeta diletante, sem pretensão a luxos ou mordomias queria tanto encontrar um Mecenas!!! Ah! Queria, sim. Muito, muito, muito! Deve ser muito bacana a gente poder sair pelaí poetando, sem se preocupar com as contas dos alojamentos onde deliciamos o populacho com nossa lira e pergaminhos.

Agora mecenas se chama sponsor, mas a pergunta é a mesma: Será que tem algum pelaí que queira me adotar ???

Touché Guimarães, publicado pela primeira vez no LinkedIn em 1/02/2025.
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